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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Fungo quarentenário para o Brasil encontrado no Chile

13/04/2016
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DefesaVegetal.Net

Phytophthora syringae foi encontrado causando podridões em pós-colheita de maçãs


Fungos não têm capacidade de dispersão ativa, ou seja, eles não se locomovem de um lugar para outro andando, nadando ou voando. Eles têm, entretanto, adaptações que promovem a dispersão de esporos, que facilitam a disseminação das espécies, em geral, a curtas distâncias. E, nesta hora, eles precisam contar com a sorte de serem transportadas em correntes de ar ou água para um local onde haja hospedeiros favoráveis e clima propício ao seu desenvolvimento. Caso isso ocorra, o fungo pode ser dispersado e colonizar locais distantes, como presume-se que tenha ocorrido com os fungos causadores da ferrugem-asiática-da-soja, da sigatoka-negra e tantos outros.

Com os movimentos migratórios no passado e o atual aumento do turismo e trânsito internacional de produtos vegetais, os fungos ganharam uma carona para locais distantes. Eles podem ser transportados em frutos, sementes, grãos, mudas, em material seco como palhas e até mesmo no solo aderido a calçados, vestuário, etc. Desta forma, fungos tornaram-se viajantes globais e um dos grupos mais bem representados entre as espécies que foram introduzidas no Brasil nos últimos 150 anos.

Assim sendo, para evitar a entrada de novos fungos de potencial importância econômica no país, é fundamental que os requisitos fitossanitários para importação de materiais vegetais sejam permanentemente atualizados com base em novos registros de ocorrência nos nossos fornecedores internacionais.

Em abril de 2016, pesquisadores chilenos relataram na revista Plant Disease a descoberta de podridões em maçãs armazenadas das cultivares Jonagold e Pink Lady. Os sintomas observados foram: descolorações castanhas e polpa com textura firme ou esponjosa e pericarpo mais escuro do que a zona de infecção. O fungo foi isolado e mantido em meio-de-cultura.

Com base em análise morfológica das hifas e esporos, a identidade foi determinada como Phytophthora syringae. Posteriormente, essa identificação foi confirmada com base em métodos moleculares e a patogenecidade foi checada em testes de inoculação de frutos.

A prevalência foi baixa (< 0,1%), mas o achado preocupa pois:

  • O Chile é um dos maiores exportadores mundiais de de maçãs e o Brasil é um dos países de destino e os requisitos fitossanitários não incluem medidas relacionadas a este fungo [1];
  • Em 2015, o Brasil regulamentou requisitos fitossanitários para importação de peras da Holanda que incluem medidas para evitar a entrada dessa espécie [2]. Isso significa que a espécie é considerada de potencial importância econômica para o país;
  • Além de maçãs, este fungo ataca diversas espécies de frutas como cítricos e frutas de caroço, entre outras, ou seja, há ampla oferta de plantas hospedeiras no Brasil;
  • Segundo dados do Observatório Pragas Sem Fronteiras, mais de metade dos fungos que foram introduzidos no Chile também foram introduzidos no Brasil.

A cultura da macieira no Brasil enfrenta diversos problemas com fungos oriundos de outras partes do mundo, tais como a sarna-da-macieira (Venturia inaequalis) e, mais recentemente, o cancro-europeu.


Notas:
[1] Portaria. MAPA 129/97, Instrução Normativa 39/08, Instrução Normativa 60/08 e Instrução Normativa 15/10.
[2] Instrução Normativa 2/2015


Para saber mais: Lolas et al. (2016)

Foto: Praktijkonderzoek Plant & Omgeving

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