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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Supermercados fornecendo mais informações sobre os alimentos

Guilherme Daroit

A população está mudando os seus hábitos de consumo e tende a não aceitar mais comprar os mesmos produtos que se acostumou a colocar nos carrinhos. Para as novas gerações, principalmente, quesitos como saúde, pertencimento local ou mesmo exotismo se tornam valores importantes na escolha dos alimentos. E, se a tomada de decisão não é mais a mesma, os supermercados que pretendem prosperar não podem continuar na mesmice, argumenta o norte-americano Phil Lempert, conhecido como o "guru dos supermercados", que vê lojas menores, curadoria de produtos e a presença de nutricionistas nos estabelecimentos como tendências mundiais no setor.

"Nunca vi algo tão forte nesse setor", afirmou Lempert, que é editor e âncora de segmentos sobre alimentos em grandes redes de televisão daquele país, como a ABC e a NBC, sobre a crescente importância dos produtos locais para os consumidores que chegam, agora, à vida adulta. O norte-americano, cita como exemplo a propensão de jovens a só adquirirem ou, então, a pagarem a mais por hortifrutigranjeiros produzidos o mais perto possível de sua comunidade.

"Eles os vêem como alimentos que têm mais sabor, mais nutrientes porque são mais frescos, e não envolvem o transporte, em linha com a preocupação maior dessa geração com a sustentabilidade", justifica Lempert, que relativiza, porém, essa associação, pelo fato de que não haveria como fugir do fato de que nem tudo é viável ou mesmo possível de ser cultivado em todos as regiões.

Existiria, portanto, nas novas gerações, uma relação diferente com os alimentos, buscando extrair novas experiências deles. A procura pela personalização dos sabores, aliada aos efeitos da recessão global, que encurta o poder de compra, têm feito as pessoas afastarem-se das refeições fora do lar em prol de cozinhar em casa - com produtos, geralmente, comprados nos supermercados. Mesmo que, muitas vezes, sem domínio das informações. É aí que deveria entrar, segundo Lempert, o varejista.

"Hoje, as principais fontes de informação são resultados de busca na internet, que nem sempre estão corretos. Os supermercados poderiam ocupar esse papel de informar sobre o bem-estar à sua comunidade", argumenta Lempert. Ele cita, como exemplos, a contratação de nutricionistas para ajudar os clientes a entenderem os rótulos e mesmo indicar alimentos dependendo do objetivo do cliente. "Afinal, os mercados vendem de tudo, desde os chocolates até produtos integrais e orgânicos em suas lojas", completa.

Lojas essas, aliás, que, na esteira desse processo, tendem a ser menores e mais especializadas. "Esta geração não quer comer a mesma coisa duas vezes. Os supermercados teriam de fazer, portanto, um papel de curadores, selecionando no máximo 10 boas marcas de determinado produto, de diferentes lugares e exóticos, e a cada pouco mudando esse portfólio", argumenta Lempert.

Esse processo resultaria também na importância das marcas próprias das redes, pois, muito mais baratas, permitiriam que os jovens satisfaçam esse tipo de desejo. "É uma boa solução porque, presa a empregos de baixos salários, a geração que está entrando no mercado consumidor não consegue comprar o produto que quiser e, com as marcas próprias, você possibilita esse consumo", afirma o norte-americano, que palestrou durante a Convenção Abras 2015, em Atibaia (SP)
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