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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Japão e SC comemoram parceria comercial

Para fortalecer as atuais parcerias e prospectar novas, o governador Raimundo Colombo foi o palestrante de evento promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Japonesa no Brasil, em São Paulo. Foto: Julio Cavalheiro/Secom/Dovulgação
Para fortalecer as atuais parcerias e prospectar novas, o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, foi o palestrante de evento promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Japonesa no Brasil, em São Paulo, na sexta-feira, 11. A comunidade japonesa teve um papel central na consolidação do cultivo da maçã em São Joaquim, na Serra catarinense. O Japão é um dos principais compradores da carne suína produzida em Santa Catarina. A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) tem acordos de cooperação na área de saneamento ambiental com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), que também participou da elaboração do plano estadual de prevenção a desastres naturais.

“Temos muito orgulho das parcerias com o Japão. São parcerias sólidas que mostram que a união de forças garante bons resultados. E hoje Santa Catarina desponta como um Estado que tem atraído cada vez mais investimentos. No passado, os investidores estrangeiros olhavam muito para São Paulo e para o Rio de Janeiro. Hoje, estão percebendo que Santa Catarina tem a força industrial de São Paulo e as belezas naturais do Rio, unindo os diferentes atrativos em um mesmo local”, discursou Colombo.

O governador destacou também o equilíbrio das contas públicas de Santa Catarina em um cenário de ajuste fiscal no contexto nacional. Citou a manutenção dos investimentos públicos, que só neste ano devem passar de R$ 3 bilhões em SC, como uma das estratégias para manter a economia catarinense aquecida e a manutenção dos empregos no Estado. E voltou a afirmar que o governo catarinense não aumentará impostos para combater a crise. “O que precisamos é ser criativos e melhores, mudar o modelo de Estado em busca da eficiência que a sociedade exige e merece”, acrescentou.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa no Brasil, Toshifumi Murata, definiu o encontro como uma oportunidade para o governador Colombo apresentar novas potencialidades do Estado para os empresários do Japão. “Temos uma grande conexão com Santa Catarina. São parcerias históricas, como no cultivo da maçã e na agroindústria. Santa Catarina é considerado um Estado brasileiro estratégico para chamar ainda mais investimentos japoneses”, destacou.

“O que está acontecendo é que o Japão percebeu que 80% dos seus negócios brasileiros estão concentrados em São Paulo e está querendo diversificar isso. Santa Catarina está se apresentando como o Estado mais viável para receber novos investimentos do Japão. É nosso interesse e é interesse deles, até pela tradição de parcerias já firmadas e hoje consolidadas. O caminho já está aberto e hoje o governador Raimundo Colombo participou deste evento para mostrar a realidade de Santa Catarina como um terreno fértil para novos negócios”, acrescentou o secretário executivo de Assuntos Internacionais, Carlos Adauto Virmond, que também participou do encontro.

Em seu discurso, o secretário destacou indicadores sociais e econômicos do Estado que são referência para o país. Também enalteceu a qualidade da mão de obra catarinense e lembrou que, em 2014, Santa Catarina foi o maior gerador de empregos no país (53.887 novas vagas), batendo inclusive o estado de São Paulo, segundo dados do Ministério do Trabalho. Nas médias dos dois primeiros trimestres de 2015, o IBGE revelou também que o Estado apresentou as menores taxa de desemprego do país. No primeiro trimestre, SC registrou 3,9%, contra a média nacional de 7,9%. E no segundo, Santa Catarina manteve os 3,9%, enquanto a média nacional subiu para 8,3%.

Participaram do encontro, diretores da Câmara, empresários japoneses e brasileiros e o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae. O governador Colombo avaliou o evento como uma importante oportunidade para prospecção de novos negócios. “A realidade da economia brasileira mudou, o câmbio mudou e temos que estar atentos para o mercado externo. E o Japão é um mercado muito importante para Santa Catarina e para todo o Brasil. Temos que buscar iniciativas para dinamizar a economia, manter as nossas conquistas já realizadas e continuar crescendo”, explicou.

SC e Japão

Em 2014, o Japão consumiu 5,8% das exportações catarinenses, participação menor apenas que a de países como Estados Unidos (12,7%) e China (11,51%). Em 2015, no período de janeiro a julho, o Japão já comprou US$ 208 milhões em produtos catarinenses, mantendo a força da parceria. A carne suína é um dos principais itens. Em 2014, apenas um ano depois da abertura do mercado japonês para a carne suína catarinense, o país já ficou na sexta posição entre os maiores compradores do produto.

O Estado é o maior produtor e exportador brasileiro de carne suína, respondendo por aproximadamente 35% das exportações do produto pelo país. Conta com dez mil criadores integrados às agroindústrias e independentes e produz cerca de 850 mil toneladas de carne suína por ano. É o único estado brasileiro reconhecido como zona livre de febre aftosa sem vacinação, status certificado em 2007 pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). E em maio, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) entregou a certificação que reconhece SC também como zona livre de peste suína clássica. Atualmente, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) mantém mais de 60 barreiras sanitárias fixas nas divisas com os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul e também com a Argentina para impedir o ingresso de animais e produtos de origem animal que possam veicular o vírus da febre aftosa e de outras enfermidades.

A Casan também conta com importantes parcerias com os japoneses. A companhia tem acordos de cooperação com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) na área de saneamento ambiental no valor de mais de R$ 400 milhões. A Jica elaborou planos que visam prevenir e reduzir os efeitos de catástrofes climáticas como as cheias no Vale do Itajaí. “Com sua experiência, o Japão ajudou Santa Catarina a traçar o plano que agora está sendo colocado em prática pelo Governo do Estado com investimentos expressivos em parceria com o Governo Federal”, lembrou Colombo.

No campo

As colaborações da comunidade japonesa na agricultura se iniciaram na década de 1970, quando técnicos japoneses trazidos pelo Governo do Estado ajudaram na consolidação do cultivo da maçã em São Joaquim, na Serra catarinense. Contribuíram ainda em outras culturas, como pera, pêssego e kiwi e na atividade pesqueira. A característica da cooperação foi o envio de técnicos especializados do Japão para prestar assessoria técnica no Brasil (morando no Brasil por longos períodos) e o envio de profissionais brasileiros para estagiar nas estações de pesquisa e difusão de tecnologia do Japão.

O engenheiro agrônomo Názaro Vieira Lima, gerente regional da Epagri de São Joaquim, lembra que outra característica importante desta cooperação foi a doação pelo governo japonês de equipamentos de última geração para modernizar as estações de pesquisa e seus laboratórios. Com estes intercâmbios técnicos, Lima explica que foi possível o incremento da qualidade e da produtividade da produção de maçãs em Santa Catarina, passando de média entre 8 e 12 toneladas por hectare registrada nos anos 1970 para a média atual que é de 50 a 60 toneladas por hectare. O setor é também um importante empregador. Só nas atividades diretas nos pomares, são cerca de 60 mil trabalhadores.

Colonização em SC

A colonização japonesa em Santa Catarina começou oficialmente em 1964, a partir a instalação da colônia Celso Ramos, hoje localizada no município de Frei Rogério, no Meio-Oeste, com a distribuição de lotes para descendentes de japoneses vindos do Rio Grande do Sul. Mas há registros da presença de famílias e pessoas da etnia japonesa em Santa Catarina já nos anos de 1950. Itajaí, Canoinhas, Caçador e São Joaquim acolheram colonos a partir da década de 1970. Outras cidades, como Florianópolis, Caçador, Lages e Joinville também receberam imigrantes e descendentes de japoneses.

Mercado nacional

A Câmara de Comércio e Indústria Japonesa no Brasil foi criada com os objetivos de estreitar as relações entre empresários do mesmo ramo de atividades e somar esforços para o desenvolvimento do comércio entre o Brasil e o Japão, estabelecendo a melhor política para o sucesso desse relacionamento.

Atualmente, existem cerca de 250 empresas japonesas em atividade no Brasil, em áreas como mineração, siderurgia, indústria automotiva, eletroeletrônicos, papel e celulose, agronegócio, químicos e plásticos. De acordo com dados do Banco Central, nos seis primeiros meses deste ano o Japão ocupou o 5º lugar no ranking das economias que mais investiram no Brasil, na modalidade participação no capital.

Em 2014, o Japão foi o 5º principal destino das exportações brasileiras (3% do total Brasil) e o 9° mercado de origem das importações. A corrente de comércio bilateral foi de US$ 12,6 bilhões, sendo US$ 6,7 bilhões em vendas brasileiras e US$ 5,9 bilhões em importações brasileiras do Japão, com superávit de US$ 860 milhões para o Brasil.

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