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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Investimento estrangeiro no Brasil cai 37% em julho

Gabriela Valente

Segundo BC, US$ bilhões entraram no mês. Déficit externo ficou menor

Afetados pela crise econômica e política, os investimentos estrangeiros no Brasil caíram nada menos que 37% em julho, na comparação com o mesmo período de 2014. Segundo o Banco Central (BC), entraram no país US$ 6 bilhões no mês passado. Por outro lado, a crise e a alta do dólar estão ajudando o país a ajustar as contas externas, processo que deve durar dois anos, na visão de especialistas.Em julho, o resultado de todas as trocas de serviços e do comércio do Brasil com o resto do mundo ficou negativo em US$ 6,2 bilhões, 33% abaixo do déficit registrado no mesmo mês do ano passado. A moeda americana mais cara e a recessão econômica inibem a importação, as viagens e outros serviços e estimulam as exportações.

As despesas dos turistas caíram 30% em julho: ficaram em US$ 1,7 bilhão. O gasto com aluguel de equipamentos caiu 28% e somou US$ 1,7 bilhão no mês passado.

No ano, as contas externas acumulam déficit de US$ 44,1 bilhões, 24% a menos que nos sete primeiros meses do ano. Já os investimentos diretos no país somam US$ 39,9 bilhões, queda de 33% em relação ao mesmo período de 2014. Os investimentos não estão financiando integralmente o rombo das contas externas.

- Em termos de atividade econômica, o investimento estrangeiro acompanha a tendência do investimento nacional privado. Isso se deve ao menor ritmo de atividade neste ano e aos eventos não econômicos que influenciaram, como possibilidade de racionamento de energia e os desdobramentos da Operação Lava-Jato - afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel.

AJUSTE EXTERNO DEVE CONTINUAR EM 2016 

Para o economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos, a queda do consumo, liderada pela retração acentuada do investimento, e o real mais fraco farão um ajuste gradual das contas externas. Para ele, esse processo deve se estender pelo menos até o ano que vem.

"Acreditamos que um ajuste fiscal mais profundo e mais rápido, que elevaria a poupança do setor público, é necessário para não só acelerar e facilitar o processo de ajuste da conta corrente, mas também para dotar o Banco Central de liberdade extra para definir a política monetária em um nível menos restritivo", disse o economista, em comunicado aos clientes.

Números

US$ 6,2 BILHÕES Foi o déficit em julho de todas as trocas de serviços e do comércio do Brasil com o resto do mundo US$ 44,1 BILHÕES Foi o déficit das contas externas registrado no ano, 24% a menos que nos sete primeiros meses de 2014 30% FOI A QUEDA Registrada nos gastos dos brasileiros que viajaram ao exterior em julho.

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