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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Dificuldade de acesso ao crédito pode derrubar a produtividade no campo, alerta Colatto

Exigência de garantias atrasa liberações para compra de insumos

Brasília, 26 de agosto de 2015 - Produtores rurais, dirigentes de instituições financeiras e deputados federais da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) estiveram reunidos com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, nesta terça-feira (25), para avaliar o fluxo na liberação de recursos para a safra 2015/2016. A reunião foi motivada pelas constantes dificuldades encontradas pelo setor na hora de tomar empréstimos nas agências bancárias.

O deputado federal Valdir Colatto (PMDB-SC) ressalta que o ministério e os bancos asseguram que o volume de crédito agrícola contratado em julho de 2015 é 30% superior ao mesmo mês do ano passado. “O ministério e os bancos garantem que as liberações são maiores, no entanto, admitem que foi um crédito para quem tinha como assegurar mais garantias. Agora, os produtores terão mais dificuldades para acesso, pois as exigências vão ser maiores”, pontuou o parlamentar catarinense.

Entre as reclamações apresentadas pelos produtores, está justamente o aumento das exigências dos bancos na hora de contratar financiamento, inclusive com garantia real. A maior preocupação do deputado Colatto é que as dificuldades de acesso ao crédito vão fazer com que, assim como aconteceu no pré-custeio, as liberações atrasem o andamento da safra. “Os agricultores terão dificuldade para comprar insumos, o que vai gerar um plantio com menos tecnologia e assim, com produtividade menor. Além disso, o custo do frete está mais alto”, alertou. Dados da Fecoagro/SC, por exemplo, apontam que somente 50% da quantidade de fertilizantes entregues em igual período do ano anterior foram adquiridos neste ano.

Além disso, há queixas sobre venda casada e sobre “mix” de taxas, quando há mistura entre recursos controlados e crédito a juros livres. Neste sentido, Colatto reforça que as tentativas de venda casada devem ser denunciadas ao Banco Central ou às ouvidorias dos próprios bancos.

Na semana passada, a Câmara dos Deputados também promoveu uma reunião para tratar da demora na análise dos pedidos de financiamentos, das exigências adicionais para garantia das operações e cobrar mais fiscalização para a prática da venda casada na contratação do crédito rural. Durante a audiência pública que reuniu representantes dos produtores rurais, das instituições financeiras e do Ministério da Agricultura, Colatto enfatizou que “não é justo penalizar nossos agricultores com tantas exigências, tanta burocracia. O crédito rural tem um índice de inadimplência muito baixo. Os dados do Banco do Brasil mostram que são apenas 0,73% de inadimplentes”.

Em setembro, uma nova reunião de avaliação da evolução das contratações deve ser realizada com a presença da ministra Kátia Abreu.

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