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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Alimentos: ‘O mundo vai precisar muito do Brasil’, afirma Alan Bojanic

Por apresentar condições excepcionais para a produção de alimentos, a partir dos próximos dez anos, o mundo vai precisar muito do Brasil. A afirmação é do representante da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura) no Brasil, Alan Bojanic, se referindo ao mais recente relatório feito pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em parceria com a entidade. O documento aponta que a agricultura mundial terá de ampliar em 80% a produção de alimentos, até 2050, para atender às necessidades de uma população, cujas projeções apontam para 9,7 bilhões de pessoas.

Ele ressalva, no entanto, que “essa produção tem de ser feita de maneira sustentável, com ganhos para todas as cadeias, por meio do desenvolvimento e de tecnologias, mas principalmente ser muito mais exigente no uso da água, dos recursos naturais e da conservação do solo”.

Em sua opinião, o Brasil está à altura e pode produzir sem a necessidade de aumentar a área de cultivo, sem fazer desmatamento.

Uma grande opção, diz Bojanic, “é a reutilização das áreas degradadas, que podem ser transformadas em recursos agrícolas de alta produtividade”. “É o que chamamos de intensificação sustentável da agricultura. Com este ganho de espaço, o Brasil tem condições de aumentar a produção sem abrir novas áreas.”

TECNOLOGIA

Segundo o representante da FAO no País, o Brasil tem tecnologia para atender a este cenário. Como exemplo ele cita a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que desenvolveu técnicas de recuperação das áreas degradadas, dentre elas destaca a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

“Não é uma questão de disponibilidade de tecnologia, o que é necessário são os incentivos de crédito, de financiamento e também de abertura de mercados, porque é muito fácil ter uma perspectiva teórica, mas o que o Brasil precisa é de compradores que vão pagar preços de rentabilidade para o produtor.“

De acordo com Bojanic, “para isso são fundamentais os acordos bilaterais, comerciais, com grandes compradores como a Rússia, ou mesmo a Índia, e outros países da África, que já têm e terão ainda mais uma grande demanda por alimentos”.

PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

Entre os produtos agropecuários brasileiros que serão mais desejados pelos importadores, o representante da FAO cita as carnes bovina, suína e de frango. Para justificar sua perspectiva, ele lembra que o relatório, feito em parceria com a OCDE, mostra, com muita clareza, que “para produzir carnes é preciso que também se produza grãos, isto é, há uma relação conjunta, de complementaridade entre esta grande demanda por carnes e a produção de grãos”.

“Prevemos que nos próximos dez anos o Brasil estará em condições de duplicar sua produção agropecuária, porque vai existir demanda. Agora, esperamos que seja uma demanda com bons preços para o produtor.”

Bojanic também chama a atenção para o fato de que, no Brasil, ainda é preciso que muitos produtores façam o que agora poucos estão fazendo. “Temos produtores muito bons, que estão no topo da tecnologia, melhor até que nos Estados Unidos, mas há muitos que estão atrasados, que ainda estão lá atrás. Então, como podemos puxar estes produtores para frente, para que passem a fazer o que estão fazendo os que estão na ponta? Além da conscientização, há a necessidade de acesso à tecnologia e muita assistência técnica”, ressalta.

“O desafio colocado, especialmente para a agricultura brasileira, será ampliar a produção com ganhos de produtividade, com sustentabilidade ambiental e redução da pobreza e da desigualdade.”

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