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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Colhidas uma a uma, as maçãs são produzidas em sua maioria em pequenas propriedades


As mãos de Francisco de Assis Demeciano são grossas e calejadas da lida no campo, nem por isso ele esquece que delicadeza, suavidade e precisão são fundamentais para tirar a maçã do pé. Ela não pode ser nem batida nem muito apertada. Agricultores como ele, que vivem em pequenos sítios de até cinco hectares, representam 87% da produção da maçã no Estado, a maioria na região de São Joaquim. A agricultura familiar é um contraponto à realidade de Vacaria, no Rio Grande do Sul, e Fraiburgo, no Oeste de Santa Catarina, outros dois polos produtores de maçã, onde pomares se estendem por até 2 mil hectares.

A colheita das variedades gala e fuji começa em janeiro e segue até o final de abril. É um trabalho manual, quase artesanal, que geralmente envolve a família inteira. É o caso de Joaquim Daniel Martins, 69 anos, que produz maçã há 25. Ele e os três filhos dão conta dos quase quatro hectares do pomar. A grande vantagem para ele, que também produz queijo e cria gado, é a rentabilidade da maçã em relação a produção de outros alimentos.

— Começamos eu, minha mulher e os dois filhos. No primeiro ano plantamos 600 mudas. No ano seguinte, em 2001, mais 600 e há cerca de quatro anos plantamos mais 900 mudas de maçã, com investimento inicial de R$ 25 mil por hectare — conta Francisco de Assis Demeciano.

As macieiras levam uma média de três anos para começar a produzir, mas a produção boa começa pelo quinto ou sexto ano.

— Para recuperar o investimento depende da tecnologia que se usa. É preciso investir a médio e longo prazo. Não existe pobreza onde existe fruticultura, dá boa rentabilidade — observa o engenheiro agrônomo Marcelo Cruz de Liz.

A família de Francisco, por exemplo, teve uma receita bruta de R$ 80 mil no ano passado em dois hectares e meio, com lucro de R$ 50 mil. Produzir maçã virou bom negócio para a região e hoje representa 75% da economia de São Joaquim, antes um grande produtor de batata. Atualmente a maçã suplantou até mesmo a criação de gado. Em razão disso, o êxodo rural ainda é baixo se comparado a outras regiões, porque demanda muita mão de obra e dá um retorno econômico bom para as famílias rurais.

Por outro lado, a rentabilidade da fruticultura e a escassez de mão de obra nas propriedades maiores atraem migrantes de todo o Brasil. Mauricio Yukio Fukushima, 43 anos, começou como empregado e hoje tem 15 mil pés de macieiras espalhados por 20 mil hectares. Em março precisou contratar 27 pessoas para colher as frutas, sete das quais vieram de Pernambuco. Hoje, 30% da mão de obra na colheita da maçã vem de fora de Santa Catarina. O salário é de R$ 22 por caixote - uma pessoa enche até quatro caixotes de 25 a 30 kg por dia.

Dos 2.401 produtores da região de São Joaquim, apenas 15% são organizados em cooperativas, segundo a Epagri. As duas maiores são a Sanjo, com 80 associados, e a Cooperserra, com 98 associados. Os associados dividem as despesas da sede, armazenamento e comercialização e o lucro é repassado para os associados. O restante dos produtores vende direto para grandes empresas, a maioria localizada em Fraiburgo ou Vacaria, ou são sócios não-fixos das cooperativas.

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