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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Discurso Encerramento Homenagem Roger Biau - 16/07/2012 - Fraiburgo

Moisés Lopes de Albuquerque
Diretor Executivo ABPM

Até pouquíssimas décadas atrás éramos importadores líquidos de maçã, e a cultura da maçã no Brasil não ia além de alguns poucos pomares artesanais, cultivados com variedades completamente sem futuro comercial.

Neste mesmo tempo, não era incomum ouvirmos frases alusivas à oferta insuficiente de maçã, oriundas da boca, especialmente das crianças, como: “gosto tanto de maçã, mas é tão cara que preciso fingir estar doente para ganhar uma do meu pai”, ou então, “ganhei uma maçã, e guardei o guardanapo em que ela estava envolvida no meio do caderno, para poder sentir o cheirinho dela por mais alguns dias”. Ocorre que, o Segmento da Maçã era praticamente inexistente no País até bem pouco tempo, e a fruta de consumo absolutamente elitizado.

Passados estes 50 anos desde o início da implantação da moderna pomicultura no País, ação que teve o Sr. Roger Biau como um dos protagonistas, o Brasil figura como o 9º maior produtor de maçãs do mundo, com cerca de 1,3 milhão de toneladas de produção em 38 mil ha de cultivo.

Atualmente, o Segmento da Maçã emprega diretamente cerca de 55 mil pessoas no País, indiretamente outros 90 mil brasileiros e a maçã é a segunda fruta mais consumida no Brasil, de acordo com pesquisa encomendada em 2011 pela CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, ou seja, o consumo da fruta está plenamente popularizado no País, e as crianças já não precisam de um esforço tão grande para saboreá-la.

Portanto, os números da maçã são impressionantes, e ainda que não seja possível afirmar que o Sr. Roger Biau seja o único responsável por eles, é sim justíssimo afirmar que ele é integrante de um pequeno e seletíssimo grupo de grandes homens, imortais da maçã, que figuram como os grandes pilares históricos, do desenvolvimento desta monumental construção chamada maçã brasileira, isto é, como pilares que são, bastaria a ausência de um deles, para tornar impossível o projeto que a história provou ser grandioso.

Estes aspectos tornam notória a imensa capacidade do Sr. Roger, enquanto profissional. Porém, se considerarmos a escolha que ele fez há cinqüenta anos, abdicando de uma vida regada por todas as facilidades que encontraria na França, para viver num povoado minúsculo, de um País Sub-desenvolvido como era Fraiburgo à época, cercada por densas florestas e estradas de terra quase intransitáveis, e distantes muitos e muitos quilômetros do asfalto, com poucos recursos de diversas ordens, para não dizer nenhum e uma população ainda longe da luz da instrução... E com o nobre intuito de realizar um sonho, mas um sonho bom, ou seja, produzir maçãs de elevada qualidade e de forma competitiva, onde até então era impensável, e com isto melhorar a qualidade de vida de dezenas de milhares de pessoas... bom, se considerarmos tudo isso, o Sr. Roger Biau não pode ser considerado apenas um profissional de elevada notoriedade, mas sim herói.

E é por isso que, ao encaminhar o encerramento desta cerimônia terei o atrevimento de não agradecê-las e não agradecê-los pela presença, pois a honra do cumprimento a um herói é toda de quem tem a oportunidade de fazê-lo.

Portanto, agradeçamos ao Sr. Roger pela oportunidade, que apesar da relutância proveniente de sua simplicidade nos concedeu nesta noite, ou seja, a honra que estamos tendo de cumprimentá-lo e de agradecê-lo.

Sr. Roger, muito obrigado por tudo o que fez por Fraiburgo e pelo Brasil, que Deus o abençoe e lhe dê muita saúde, paz, e muitos e muitos anos de alegria junto à sua família e amigos.

Um comentário:

  1. Roger Biau, meu verdadeiro mestre, quero agradecer por ter me apresentado a maçã o fruto mais bonito das terras Brasileiras. Obrigado

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